De volta à casa de vila

20 05 2008

 

Em sua 22ª edição, a Casa Cor, montada na área de 6.500 m2 do Jockey Club, redescobre a dimensão humana e foge do que é impessoal

 

Jatobá centenário torna inesquecível a Prça Casa Cor, de Gilberto Elkis

 

A maturidade chegou à Casa Cor. Em sua 22ª edição, a mais representativa mostra de design de interiores do País entra na idade adulta cheia de planos, mas também consciente dos desafios. No entender dos organizadores, o momento é de crescer, mas sem perder de vista o DNA do evento. Mais especificamente, a aura de glamour e exclusividade das primeiras edições – diferenciais que pretendem reviver, em grande estilo, a partir de terça-feira, no Jockey Club de São Paulo, em Cidade Jardim.
“O conceito de bom gosto que queremos imprimir à marca Casa Cor é uma característica original da mostra, conquistada com competência por suas fundadoras Yolanda Figueiredo e Angélica Rueda”, afirma João Doria Jr., que acaba de assumir a presidência do empreendimento em sociedade com o Grupo Abril. Com investimentos da ordem de R$ 8 milhões, a primeira Casa Cor sob sua direção foi montada em uma área total de 6.500 m² e deve atrair um público de cerca de 200 mil pessoas.

Entre os projetos em pauta, além da ampliação do calendário de exposições, o licenciamento da marca para produtos de homeware, bem-estar e lazer: o primeiro deles, uma linha de aromatizadores, já estará à venda no local. “Além de lançar tendências, a mostra é um extraordinário impulsionador de vendas, com um público superior a 500 mil visitantes anuais”, afirma Doria.

Qual seria a estratégia para conciliar as metas de crescimento e a exclusividade de outrora? “Sofisticação em cada detalhe, do visível ao apenas perceptível”, explica Felipe Camargo, vice-presidente da Casa Cor. Ao que ele acrescenta: “Sofisticação hoje pressupõe simplicidade, atenção aos sentidos. Sem esquecer, claro, da importância da preservação ambiental”.

 

Uma vila no Jockey

Que não se surpreenda, portanto, quem, durante a visita, perceber cacaueiros estrategicamente posicionadas em meio aos 69 ambientes, projetados por 88 profissionais na mostra organizada este ano sob o tema “Vila de Casas”.

“Há tempos vínhamos detectando um desejo de voltar à vila. De redescobrir dimensões humanas, mais na escala dos moradores e longe da impessoalidade dos condomínios. O que não esperávamos era estar tão próximos de uma”, admite Camargo, referindo-se à pequena vila residencial no Jockey, exemplar típico de um padrão de ocupação urbana que alcançou seu apogeu na primeira metade do século 20 e que inspirou a montagem deste ano.

Tombados pelo Patrimônio Histórico e Cultural, cinco desses imóveis conservam a fachada original, mas tiveram seus interiores inteiramente reformulados. “Para adaptar a casa ao viver contemporâneo, optei por abolir divisórias, integrando quartos, sala e cozinha em ambiente único”, diz Brunete Fraccaroli, criadora da Casa Dourada, projeto que investe também no branco e no prata, algumas de suas apostas para a próxima estação.

 

A vez do paisagismo

No melhor estilo Casa Cor, novas construções, na forma de lofts e estúdios foram integrados ao conjunto existente, mas sempre de maneira planejada para não descaracterizar o padrão de implantação. Nesse sentido, o paisagismo é o ponto alto desta edição: à semelhança das antigas vilas, as praças, vistas não só como áreas de passagem, propiciam o convívio. Caso de “um lounge a céu aberto”, como preferem chamar Daniela Sedo e Carlos Marsi à Praça de Boas-Vindas – projeto da dupla que conta com dois ambientes, um para descanso e outro para encontros. Ou ainda sob a condição de espaço referencial na memória dos moradores, como propõe o paisagista Alex Hanazaki, no Pátio das Casas, que homenageia os 100 anos da imigração japonesa por meio de um jardim de 300 m², repleto de simbologias.

Não por acaso, a Casa Cor está mais agradável de ser percorrida: em meio à sucessão de espaços verdes, cascatas e espelhos d?água (um dos hits da estação), o visitante vai passar bons momentos ao ar livre, à sombra de jatobás, pitangueiras e flamboyants – algumas das espécies que compõem a vegetação local, vestígio de Mata Atlântica que não passou despercebida pelos arquitetos.

 

Natureza integrada

É o caso de Fernanda Marques, que integrou uma das árvores ao desenho de seu Estúdio 24/7; de Roberto Migotto, com a suíte emoldurada por exuberante paisagem; ou ainda de Francisco Cálio, querevestiu a fachada da Casa Viva com vasos de plantas, irrigados por um sistema de acionamento automático e ecologicamente correto. Sem falar dos inúmeros projetos que, por meio de grandes painéis de vidro, procuram trazer a natureza para dentro dos interiores. De forma literal, contam com paredes ajardinadas na sua composição ou ao menos um painel fotográfico, com referência ao tema.

Em sintonia com o espírito nostálgico da Casa Cor 2008, duas mostras fotográficas devem chamar a atenção: uma, enfocando a obra de Oscar Niemeyer, a cargo de Ruy Othake, com os momentos marcantes da carreira do arquiteto centenário; outra, em homenagem às idealizadoras da mostra, Yolanda Figueiredo e Angélica Rueda, que teve sua primeira edição em junho de 1987.

Trilha sonora ideal para embalar um evento desenhado para agradar aos olhos – mas também aos ouvidos -, perto da entrada, no Lounge Bossa Nova, de Débora Aguiar, o ritmo brasileiro por excelência – que está, a propósito, comemorando 50 anos de estrada -, vai servir de fundo musical para tardes à beira do piano, em ambiente inspirado na arquitetura moderna.

Respirem, portanto, aliviados: ao que tudo indica, a vida continua doce vista dos reluzentes espaços do Jockey Club paulistano.

 

 

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Frank Lloyd Wright e a arquitetura orgânica

7 05 2008

 

Frank Lloyd Wright

  

(Richland Center, 8 de junho de 1867 — Phoenix, 9 de abril de 1959) foi um arquiteto estadunidense. É considerado um dos mais importantes do século XX. Foi a figura chave da arquitetura orgânica, um desdobramento da arquitetura moderna que se contrapunha ao International style europeu.

Trabalhou no início de sua carreira com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. F. L. Wright defendia que o projeto deve ser individual, de acordo com sua localização e finalidade. Frank influenciou os rumos da arquitetura moderna suas idéias e obras.

 

 

Origens

Em meados de 1900, no período de 1895 a 1905, a arquitectura dos Estados Unidos da América era uma junção de estilos eclécticos, sem que de nenhuma maneira tivessem relação com as ideias e os ideais da nação. Na mesma época, considerava-se como arquitectura o levar à prática modas e estilos sem relação com as técnicas de construção, fenómeno chamado eclectismo. Por outro lado, era também uma época em que toda a indústria da construção estava experimentando transformações revolucionárias. Apareciam novos materiais de construção, ao mesmo tempo que se desenrolavam novos métodos de transformação para os materiais antigos. Mesmo assim, a arquitectura que realmente se levava à prática naquele tempo, pouco ou nada reflectia estes novos métodos e materiais.

Antes de se tornar um dos maiores arquitetos de todos os tempos, ele estudou engenharia e faltando poucas semanas para sua graduação, ele abandonou o curso e foi trabalhar em Chicago como desenhista no escritório de Silsbee, um arquiteto de renome.

Seus principais trabalhos foram a Casa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufmann, considerada a residência moderna mais famosa do mundo) e a sede do Museu Solomon R. Guggenheim em Nova Iorque.

 

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LE CORBUSIER

Mies van der Rohe – Bauhaus

Paulo Mendes da Rocha – A natureza é um trambolho

 





Mies van der Rohe – Bauhaus

15 04 2008

 

Mies van der Rohe

 

Mies van der Rohe foi, após um período inicial de influência arquitetônica neoclássica, um dos principais representantes da arquitetura do vidro e do aço. É considerado, com Walter Gropius, Le Corbusier e Frank Lloyd Wright, um dos arquitetos mais importantes do século XX.

 

Usou cimento e estruturas de aço em suas primeiras casas e galpões industriais, mas o seu ideal estético incluía também o uso de materiais nobres como mármore travertino, ônix ou aço cromado.

 

Sua primeira obra importante foi o pavilhão alemão para a Exposição Internacional de Barcelona, de 1929.

 

  

Seus prédios de apartamentos abriram caminho, do ponto de vista construtivo e urbanístico, para obras posteriores. Disso são exemplos os Promontory Apartments de Chicago (1951); os Lake Shore Drive Apartments (1951). os Batery Park Apartments de Nova York (1957 a 1958) e o Seagram Building de Nova York (1956 a 1959). Suas obras mais conhecidas na Alemanha são a Colônia Weissenhorf de Stuttgart (1927) e a Neue Nationalgalerie de Berlim (1962-1968).

 

 

The Lake Shore Drive Apartments, Chicago

 

No período compreendido entre 1930 e 1933, dirigiu a Bauhaus de Dessau. Emigrou para os Estados Unidos em 1937, onde dirigiu o departamento de arquitetura do Illinois Institute of Technology de Chicago, entre 1938 e 1959.

 

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No próximo post pretendo mostrar um pouquinho mais do que foi a Bauhaus.

Abraços.

E não deixe de ver:

Paulo Mendes da Rocha – A natureza é um trambolho

Tendências… A vez das fachadas sustentáveis  

SANTIAGO CALATRAVA – arquiteto

Cultura nunca é demais.

 

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Paulo Mendes da Rocha – A natureza é um trambolho

11 04 2008
Saudações!

Estava eu navegando na ‘extensa rede’ e vi essa entrevista do grande e maravilhoso Paulo Mendes da Rocha… Vou copiar uns trechinhos aqui que vale a pena!

Abraços 😉

 

 

 

A natureza é um trambolho

 

 

A conversa foi longa, e podia ser muito mais. A platéia, quer dizer, os entrevistadores ficou – para usar o adjetivo justo – embevecida. Paulo Mendes da Rocha é o retrato do arquiteto, o artista, aquele que une à técnica uma visão cósmica, espiritual, política do homem. E ele consegue expor esse pensamento com outra virtude humana indispensável: o humor, e colocações desconcertantes – como a do título abaixo..

 

(…)

 

 

 

 

São Paulo é caótica ou não?

Paulo Mendes da Rocha – São Paulo é e não tem nada de fenômeno urbano, ela metodicamente se torna horrível pela especulação imobiliária, pela exploração de tudo isso como mercadoria. Tudo isso o quê? As virtudes da natureza. Você quer ver uma evidente virtude da natureza destruída pelo mercado e tida entre nós como supremo bem? O que a Light fez em São Paulo. Construir uma barragem hidrelétrica de 700 metros sobre o mar, sugar a água do Tietê através do Pinheiros, inverter tudo, jogar essa água lá pra baixo para produzir 800.000 quilowatts é uma besteira que não tem tamanho. Nós nunca faríamos isso. Não se produz 1 quilowatt com uma água que não seja para beber depois, porque senão é perder a virtude da água. A graça é dizer que essa água que você está bebendo já foi a luzinha ou vai ser a luzinha de amanhã – e a mesma se joga no mar! Depois, essa Light botou um bonde, fez a linha ir para os arrabaldes, que não valiam nada, comprou tudo, loteou e vendeu esses bairros horríveis que se dizem exclusivamente residenciais. Como se você pudesse exclusivamente residir. “O senhor está fazendo o quê?” “Estou residindo…” Não tem sentido nenhum. E a Light ainda foi vendida para nós e disse que devemos a ela o desenvolvimento de São Paulo. Urubupungá tem 6 milhões de quilowatts, uma barragem de 800.000 quilowatts é o mínimo que se pode fazer, jogando água fora, ainda por cima! Isso eles não fazem no país deles, os canadenses, os americanos, os ingleses. Portanto, somos uma conseqüência dessa visão predadora do nosso território, que vem desde a mentalidade colonial, e devíamos ser a suprema crítica contemporânea sobre essas questões.

 

 

 

Os arquitetos?

Paulo Mendes da Rocha – Nós, os americanos, porque temos a peculiar experiência. É engraçada a história dos americanos. Sou italiano por parte de mãe, sou baiano por parte de pai, sou negro possivelmente, portanto não é uma raça brasileira, somos um grupo que tem a obrigação de ter uma reflexão peculiar, uma experiência peculiar de inaugurar a questão do hábitat humano num território em que estava uma população pequena que foi destruída pelo colonialismo. Essa visão crítica entre nós é indispensável. Uma revisão crítica capaz de criar expectativas de esperança e futuro, existir um peculiar traço de uma experiência interessante quanto à ocupação de território. O que se diz é o seguinte: uma cidade existe antes que a construam, é um desejo nosso, e ela é vista antes como se nós aqui, um grupo, estivéssemos procurando um lugar – aconteceu tantas vezes em grupos humanos –, e suponha que chegássemos por terra, não sei de que modo, no Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro. Com certeza, iríamos parar e dizer assim: “Vamos ficar por aqui. Ali faremos o porto; lá embaixo tem muita inundação, muito pernilongo, vamos morar um pouquinho nesse outeiro, aqui as casas etc. etc.”. Inclusive, você enfrenta uma adversidade que não havia, que você cria. Os problemas nós é que criamos. Se é boa a baía porque abriga os navios, entretanto a terra ali não serve para habitar, porque são baixios, mangues, vou ter que fazer uma muralha de cais, aterrar esse baixio, construir novos territórios e uma nova conformação geográfica. O Rio de Janeiro é uma cidade que descreve com muita clareza as virtudes dessa transformação, por exemplo, depois que abriram a avenida Rio Branco. Sobrou um morrinho lá, que é o famoso morro do Castelo, raro no Rio de Janeiro por não conter granito, era só terra, e ele dividia ou tolhia a visão da entrada da baía. Pra frente, era aquilo que já estava lá, a baía do Flamengo e, logo adiante, a ilha de Villegaignon, a 1 quilômetro, 800 metros, onde já estava instalada a Escola Naval. Fizeram uma obra notável no Rio de Janeiro: o desmonte hidráulico do morro, quer dizer, a jato de água, como você desmantela um formigueiro com a mangueira de jardim. A engenharia faz isso. Estabelece a tubulação toda e desmonta o morro de terra a jato de água, transforma em lama. Essa lama é conduzida nessa tubulação e vai ser depositada num certo lugar. Que lugar? Um retângulo perfeito, um tanque construído com pedras adequadas para enfrentar o mar, dentro da água, inundado de água, um enrocamento de pedras arrebentadas a dinamite das pedreiras e adequadamente depositadas no mar. Essa lama jogada lá dentro decanta, sedimenta a terra e aquilo que ficou é o aeroporto Santos Dumont. Você transforma o território, isso é que é arquitetura, para mim, e não pequenas coisas, uma varandinha, nada disso e os edifícios são instrumentos de realização dessa cidade onde todos querem morar.



Dessa sua visão sobre pensar o território brasileiro, quanto tem da visão do Darcy Ribeiro, no sentido de que podemos construir aqui uma quase civilização tropical, e quanto também da produção e do pensamento do professor Milton Santos, no caso do território?

Paulo Mendes da Rocha – A história do gênero humano é indizível, claro, mas, se quiséssemos conversar, poderíamos pensar, por exemplo, num dilema da nossa condição humana, entre tantos. Um deles é a questão de uma separação, que pode ser convocada para refletir, entre ciências naturais – que é toda ciência, física, astronomia, mecânica celeste – e essa preocupação com nossas origens, que se estabeleceu que chamamos de ciências humanas. Justamente o que fica para as realizações de caráter político, o que vamos fazer, o modo humano de existir, obrigatoriamente esses âmbitos de conhecimento têm de andar juntos, você só pode realmente avançar quando raciocina com uma totalidade. Isso é da nossa época, vivemos isso, que foi posto pelos artistas, os supremos inventores de como pensarmos. No caso, um homem de teatro, Durrenmatt, escreveu Os Físicos, a questão da descoberta da energia, do átomo, da constituição da matéria e a bomba atômica. Ora, tínhamos que dizer que nenhum cientista inventou uma bomba, eles morreram todos de desgosto, digamos assim, é o que está decantado em Galileu Galilei, do Brecht, em Os Físicos, do Durrenmatt. A idéia não é fazer uma bomba, a idéia é não resistir a especular e acabar sabendo que certos códigos revelam que são partes, partículas materiais, que a luz é pedaço de coisas, e que tudo isso se equilibra por força desse certo universo, ou seja, que somos feitos da mesma matéria da qual é feita a luz das estrelas, não existe outra matéria no universo, quarks, elétrons, nêutrons, ela produz um fígado ou uma fagulha de estrelas. Portanto, não é que sejam verdades, são códigos que vão dando certo, códigos matemáticos, você reproduz e vê que aquilo é isso. Mas a idéia é realizar a nossa existência no universo.

 

Isso não é uma visão de Deus?

 

Paulo Mendes da Rocha – Eu não sei qual é a visão de Deus, quem me dera.

(…)

 

 

 

Bacana, né?

 

Se quiser ler o resto da entrevista é só entrar aqui:

 

 

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed61/paulo30.asp

 

 

Principais trabalhos e prêmios:
Museu de Arte de Campinas, na Unicamp, SP.
Museu de Arte Comtemporânea, com Jorge Wilheim, SP.
Museu Brasileiro de Arquitetura, SP.
Centro Cultural da Fiesp, SP.
Pinacoteca do Estado, Renovação, SP.
Ginásio do Clube Atlético Paulistano, SP.
Terminal Rodoviário de Goiânia, GO.
Estádio Serra Dourada, GO.
Terminal Rodoviário de Cuiabá, GO.
Pavilhão do Brasil na Exposição Mundial de Osaka, Japão.


Prêmios:
Bienal Ibero-Americana de Madri (Trajetória Profissional).
Museu Nacional de Belas-Artes (Prêmio Vitrúvio).
Arquitetura Latino-Americana (Prêmio Mies van der Rohe).
Bienal Internacional de São Paulo (Ginásio do Clube Paulistano).

 

 

 

  

Para ler outras matérias interessantes:

 

Tendências… A vez das fachadas sustentáveis 

SANTIAGO CALATRAVA – arquiteto

Cultura nunca é demais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





Tendências… A vez das fachadas sustentáveis

1 04 2008

 A vez das fachadas sustentáveis

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O arquiteto brasileiro Edson Yabiku, que morou 5 anos em Tóquio e mora há 11 em Londres, desembarcou em São Paulo anteontem e, no trajeto entre o aeroporto de Cumbica e o Copan, a primeira coisa em que reparou foi nas numerosas pichações da cidade. Cidade limpa? Yabiku elogia a iniciativa de reduzir as propagandas e os letreiros das ruas e lojas. Mas esse paranaense de Maringá que trabalha no escritório Norman Foster + Partners – do famoso arquiteto inglês que acaba de assinar o novo aeroporto de Pequim – está em São Paulo para falar sobre a importância muito maior da fachada na arquitetura atual. E o que ele descreve tem raros exemplos na cidade.

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Yabiku é um dos participantes do 1º Encontro Nacional sobre Fachadas, fórum organizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), amanhã e depois de amanhã, no Hotel Renaissance. Foi ele quem sugeriu ao Estado o encontro em frente ao Copan, projetado por Oscar Niemeyer. Ele queria rever o brise-soleil (quebra-sol) que cobre toda a fachada curva do edifício. “O brise-soleil voltou a ser muito usado”, comenta Yabiku, que no momento trabalha no desenho de uma universidade em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, que terá brise-soleil de titânio. A razão está na necessidade atual de construções que economizem energia e carbono.

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Na arquitetura americana, diz Yabiku, predominou o arranha-céu que usa uma planta quadrada e obriga boa parte dos ocupantes do prédio a ficar em áreas centrais mal iluminadas e com forte ar-condicionado. Hoje, principalmente na Alemanha, usa-se no máximo uma fachada com 18 metros contínuos de largura para que ninguém fique distante da iluminação natural – caso do prédio do Commerzbank, em Frankfurt, projetado pelo escritório de Norman Foster. A fachada também recebe recortes e reentrâncias que impedem essas regiões mais escuras dentro do ambiente de trabalho. “Num país de pouco sol como a Inglaterra, esse balanço entre luz natural e ar-condicionado é importante até para ter locais de trabalho menos depressivos.”

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Curiosamente, Yabiku nota que o Copan, além do mau estado de conservação, tem um problema em seu projeto: como o brise-soleil fixo de concreto fica na horizontal e o prédio tem face voltada para o norte, o sol que incide de manhã cedo a leste e no fim de tarde a oeste bate diretamente no interior dos apartamentos. Além disso, o concreto já não é tão usado por ter cimento, cuja fabricação emite gás carbônico para a atmosfera. É por isso que o desenho de fachadas, segundo Yabiku, é cada vez mais fundamental numa era que preza cada vez mais a sustentabilidade ambiental. A fachada não é mais um cartão de visitas ou a face mais pública de uma obra.

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“A fachada é parte integrante da estrutura. Nos trabalhos do escritório, a fachada já é a própria estrutura”, diz, citando outro exemplo, o prédio Swiss Re (hoje não mais pertencente à seguradora), considerado o primeiro arranha-céu ecológico de Londres. É um edifício em forma de projétil que tem muita iluminação e ventilação naturais. Yabiku conta que em Londres foi aprovada regulamentação, conhecida como “Part L”, de 2006, que estabelece limites para a carga térmica de uma construção urbana. O efeito tem sido o uso menos abundante de vidros no revestimento dos edifícios e, quando usados, a adoção do vidro duplo ou triplo.

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Para observar alguns exemplos de arquitetura recém-erguida em São Paulo, o Estado levou Yabiku ao cruzamento das Avenidas Nova Faria Lima e Juscelino Kubitschek. Ele não encontrou nada parecido com o que vem sendo feito pelos grandes escritórios de arquitetura mundiais, como aquele em que trabalha ao lado de 1.200 profissionais. Não se vê, por exemplo, o vidro triplo: um sanduíche de vidro complementado por outra camada com intervalo de ventilação. No caso de lugares com muito calor e luz, como as cidades brasileiras, esse tipo de revestimento – com o terceiro vidro no lado mais externo do prédio – seria o mais indicado para reduzir o uso do ar-condicionado.

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Yabiku nota também a preferência por vidros escuros, em tons de azul ou verde, e o convencionalismo das estruturas. “Quando o prédio rompe com a forma quadrada, é apenas para acrescentar uma decoração, não algo que tem lógica interna. No nosso escritório questionamos tudo: se vamos usar um volume chanfrado, por exemplo”, diz apontando para um prédio na Nova Faria Lima, “queremos ter um porquê.” Ele também diz que, apesar do custo maior de projetos menos convencionais, há ganhos para quem investe em fachadas sustentáveis. “Prédios que fizemos economizam até 40% em energia, reduzindo custo de manutenção. Além disso, o empreendedor vai ganhar muito ao vender o prédio, que se tornará um marco. O Swiss Re foi vendido pelo triplo do que custou quatro anos antes.”

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Seu argumento também tem uma perspectiva histórica. “No passado, quando começaram a fazer piso elevado para poder embutir as fiações, muitos construtores disseram que aquilo encarecia a obra. Depois, como o cliente pedia, todo mundo passou a usar piso elevado. O mesmo vale para o vidro: ninguém mais usa vidro simples. Agora os prédios se voltam para a iluminação natural, o que pede variações de fachadas.” As fachadas, além de limpas, cada vez mais terão a obrigação de ser sustentáveis.

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é isso aí.

   





Gaudí

17 03 2008

Antoni Gaudi i Cornet

Polêmico arquiteto espanhol (de finais do séc.19 e princípios do séc. 20. ) 

Nasceu em Reus, Catalunha, Espanha, em 25 de Junho de 1852;
morreu em Barcelona, em 10 de Junho de 1926. 

 Arquiteto cujo estilo distinto se caracteriza pela liberdade de forma, cor e texturas voluptuosas e na unidade orgânica, Gaudí trabalhou quase sempre em Barcelona ou nos seus arredores. Grande parte da sua carreira foi ocupada com a construção do Templo Expiatório da Sagrada Família, que ainda não estava concluído quando morreu. 

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O estilo de Gaudí atravessou diversas fases. Quando saiu da escola provincial de arquitetura de Barcelona, em 1878, começou a projetar de acordo com um estilo Vitoriano bastante florido, que já era evidente nos seus projetos escolares, mas desenvolveu rapidamente uma maneira de compor por meio de justaposições de massas geométricas, até aí nunca usadas, cujas superfícies eram animadas com pedra ou tijolo modelado, painéis cerâmicos de cores vivas, e estruturas de metal utilizando motivos florais ou répteis. O efeito geral, embora os detalhes não o sejam, é Mourisco – ou Mudéjar, como a mistura especial da arte muçulmana com a cristã é conhecida em Espanha. Os exemplos de seu estilo Mudéjar são a Casa Vicens, de 1878-80, e El Capricho construída entre 1883 e 1885, assim como a Propriedade e o Palácio de Güell, de finais dos anos 80 do século XIX. Todas as obras, exceto o El Capricho estão localizadas em Barcelona.

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Mais tarde, Gaudí experimentou as possibilidades dinâmicas de vários estilos arquitetônicos: o gótico no Palácio Episcopal de Astorga, obra realizada entre 1887 e 1893, e na Casa de los Botines em Leão, construída entre 1892 e 1894; o barroco na Casa Calvet em Barcelona (1898-1904). Mas após 1902 os seus projetos deixam de poder ser atribuídos a um estilo arquitetônico convencional. 

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À exceção de alguns edifícios em que é clara representação simbólica da natureza ou da religião, os edifícios de Gaudí transformaram-se em representações da sua estrutura e dos materiais que os constituem. Na sua Vila Bell Esguard, de 1900-02, e no Parque de Güell, de 1900 a 1914, em Barcelona, e na igreja da Colonia Güell (1898 – c. 1915), a sul daquela cidade, chegou a um tipo de estrutura que veio ser chamada equilibrada – isto é, uma estrutura projetada para se apoiar sobre si própria sem apoios internos ou suportes externos – ou, como Gaudí afirmava, exatamente como uma árvore se ergue. Gaudí aplicou seu sistema equilibrado a dois edifícios de apartamentos de vários andares edificados em Barcelona: a Casa Batlló, de 1904-06, uma renovação que incorporou novos elementos equilibrados, sobretudo a fachada; e a Casa Milá (1905-10). Como era freqüente nele, projetou os dois edifícios, tanto nas suas formas com nas superfícies, como metáforas do caráter montanhoso e marítimo da Catalunha. 

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Arquiteto admirado, mesmo que considerado um pouco excêntrico, Gaudí foi um participante importante na Renascença catalã, um movimento artístico revivalista das artes e dos ofícios que se combinou com um movimento político de feições nacionalistas que se baseava num fervoroso  anti-castelhanismo. Ambos os movimentos procuraram restabelecer um tipo de vida na Catalunha que tinha sido suprimido pelo governo centralista de Madrid, ao longo do século XVIII e XIX. O símbolo religioso da Renascença em Barcelona era a igreja da Sagrada Família, um projeto que ocupou Gaudí durante toda a sua carreira. 

Contratado para construir a igreja desde 1883, não viveu para vê-la terminada. Ao trabalhar nela tornou-se cada vez mais religioso, e após 1910 passou a trabalhar quase exclusivamente na construção da Igreja, tendo mesmo passado a residir nos estaleiros. Aos 75 anos, foi atropelado por um trolley-car, tendo morrido dos ferimentos. 

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Ignorado durante os anos 20 e 30 do século XX, quando o estilo internacional era o estilo arquitetônico  dominante, foi redescoberto nos anos 60, sendo reverenciado tanto por profissionais como pelo público em geral, devido à sua imaginação transbordante. A avaliação do trabalho arquitetônico de Gaudí é notável pela sua escala de formas, texturas, e policromia, e pela maneira livre e expressiva como estes elementos da sua arte se conjugam. A geometria complexa de um edifício de Gaudí coincide com a sua estrutura arquitetônica em que o todo, incluindo a sua fachada, dá à aparência de ser um objeto natural conformando-se completamente com as leis da natureza. Tal sentido da unidade total informou também a vida de Gaudí, já que a sua vida pessoal e  profissional  eram indistinguíveis.