Tendências… A vez das fachadas sustentáveis

1 04 2008

 A vez das fachadas sustentáveis

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O arquiteto brasileiro Edson Yabiku, que morou 5 anos em Tóquio e mora há 11 em Londres, desembarcou em São Paulo anteontem e, no trajeto entre o aeroporto de Cumbica e o Copan, a primeira coisa em que reparou foi nas numerosas pichações da cidade. Cidade limpa? Yabiku elogia a iniciativa de reduzir as propagandas e os letreiros das ruas e lojas. Mas esse paranaense de Maringá que trabalha no escritório Norman Foster + Partners – do famoso arquiteto inglês que acaba de assinar o novo aeroporto de Pequim – está em São Paulo para falar sobre a importância muito maior da fachada na arquitetura atual. E o que ele descreve tem raros exemplos na cidade.

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Yabiku é um dos participantes do 1º Encontro Nacional sobre Fachadas, fórum organizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), amanhã e depois de amanhã, no Hotel Renaissance. Foi ele quem sugeriu ao Estado o encontro em frente ao Copan, projetado por Oscar Niemeyer. Ele queria rever o brise-soleil (quebra-sol) que cobre toda a fachada curva do edifício. “O brise-soleil voltou a ser muito usado”, comenta Yabiku, que no momento trabalha no desenho de uma universidade em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, que terá brise-soleil de titânio. A razão está na necessidade atual de construções que economizem energia e carbono.

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Na arquitetura americana, diz Yabiku, predominou o arranha-céu que usa uma planta quadrada e obriga boa parte dos ocupantes do prédio a ficar em áreas centrais mal iluminadas e com forte ar-condicionado. Hoje, principalmente na Alemanha, usa-se no máximo uma fachada com 18 metros contínuos de largura para que ninguém fique distante da iluminação natural – caso do prédio do Commerzbank, em Frankfurt, projetado pelo escritório de Norman Foster. A fachada também recebe recortes e reentrâncias que impedem essas regiões mais escuras dentro do ambiente de trabalho. “Num país de pouco sol como a Inglaterra, esse balanço entre luz natural e ar-condicionado é importante até para ter locais de trabalho menos depressivos.”

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Curiosamente, Yabiku nota que o Copan, além do mau estado de conservação, tem um problema em seu projeto: como o brise-soleil fixo de concreto fica na horizontal e o prédio tem face voltada para o norte, o sol que incide de manhã cedo a leste e no fim de tarde a oeste bate diretamente no interior dos apartamentos. Além disso, o concreto já não é tão usado por ter cimento, cuja fabricação emite gás carbônico para a atmosfera. É por isso que o desenho de fachadas, segundo Yabiku, é cada vez mais fundamental numa era que preza cada vez mais a sustentabilidade ambiental. A fachada não é mais um cartão de visitas ou a face mais pública de uma obra.

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“A fachada é parte integrante da estrutura. Nos trabalhos do escritório, a fachada já é a própria estrutura”, diz, citando outro exemplo, o prédio Swiss Re (hoje não mais pertencente à seguradora), considerado o primeiro arranha-céu ecológico de Londres. É um edifício em forma de projétil que tem muita iluminação e ventilação naturais. Yabiku conta que em Londres foi aprovada regulamentação, conhecida como “Part L”, de 2006, que estabelece limites para a carga térmica de uma construção urbana. O efeito tem sido o uso menos abundante de vidros no revestimento dos edifícios e, quando usados, a adoção do vidro duplo ou triplo.

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Para observar alguns exemplos de arquitetura recém-erguida em São Paulo, o Estado levou Yabiku ao cruzamento das Avenidas Nova Faria Lima e Juscelino Kubitschek. Ele não encontrou nada parecido com o que vem sendo feito pelos grandes escritórios de arquitetura mundiais, como aquele em que trabalha ao lado de 1.200 profissionais. Não se vê, por exemplo, o vidro triplo: um sanduíche de vidro complementado por outra camada com intervalo de ventilação. No caso de lugares com muito calor e luz, como as cidades brasileiras, esse tipo de revestimento – com o terceiro vidro no lado mais externo do prédio – seria o mais indicado para reduzir o uso do ar-condicionado.

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Yabiku nota também a preferência por vidros escuros, em tons de azul ou verde, e o convencionalismo das estruturas. “Quando o prédio rompe com a forma quadrada, é apenas para acrescentar uma decoração, não algo que tem lógica interna. No nosso escritório questionamos tudo: se vamos usar um volume chanfrado, por exemplo”, diz apontando para um prédio na Nova Faria Lima, “queremos ter um porquê.” Ele também diz que, apesar do custo maior de projetos menos convencionais, há ganhos para quem investe em fachadas sustentáveis. “Prédios que fizemos economizam até 40% em energia, reduzindo custo de manutenção. Além disso, o empreendedor vai ganhar muito ao vender o prédio, que se tornará um marco. O Swiss Re foi vendido pelo triplo do que custou quatro anos antes.”

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Seu argumento também tem uma perspectiva histórica. “No passado, quando começaram a fazer piso elevado para poder embutir as fiações, muitos construtores disseram que aquilo encarecia a obra. Depois, como o cliente pedia, todo mundo passou a usar piso elevado. O mesmo vale para o vidro: ninguém mais usa vidro simples. Agora os prédios se voltam para a iluminação natural, o que pede variações de fachadas.” As fachadas, além de limpas, cada vez mais terão a obrigação de ser sustentáveis.

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é isso aí.

   

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AGENDA DE EXPOSIÇÕES – PROGRAME-SE.

28 03 2008

Museus

ESTAÇÃO PINACOTECA

COLEÇÃO NEMIROVSKY

Um dos mais importantes conjuntos modernistas do país, com ícones do movimento, o acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky ganhou uma mostra com um recorte mais amplo, contendo 120 obras. Lgo. Gen. Osório, 66, Luz, região central, tel. 3337-0185. Ter. a dom.: 10h às 18h. Até 3/8. Ingr.: R$ 4 (p/ estudantes: R$ 2. Sáb.: grátis). Estac. (R$ 5).a d c i

Há mais uma exposição na Estação Pinacoteca: “Palazuelo”.

MAC IBIRAPUERA

MULHERES ARTISTAS – RELATOS CULTURAIS

A mostra leva ao museu trabalhos de quatro mulheres artistas, de quatro países da América do Sul: Lacy Duarte (Uruguai), Bruna Truffa (Chile), Ana Miguel (Brasil) e Paola Parcerisa (Paraguai). As características comuns nas poéticas de cada uma são destacadas na montagem. Parque Ibirapuera – av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 3, Parque Ibirapuera, região sul, tel. 5573-5255. Ter. a dom.: 10h às 19h. Até 25/5. Estac. (sistema zona azul -no portão 3).a d

MAC USP

PAULO BRUSCKY

“Ars Brevis” é a primeira individual do pernambu- cano em um museu. Dividida em sete núcleos, a exposição abrange toda a produção do artista multimídia, desde os anos 60, quando sofreu influência do grupo Fluxus, até a atualidade. R. da Reitoria, 109A, Cidade Universitária, região oeste, tel. 3091-3538. Ter. a sex.: 10h às 18h. Sáb. e dom.: 10h às 16h. Até 28/4. Estac. grátis.a d v

Há mais uma exposição no MAC USP: “Linhagens Poéticas – Instalação”.

MASP

TATSUMI ORIMOTO

 “O Convívio Social aos Olhos de Tatsumi Orimoto” é um retrospecto de 40 anos de trabalhos do artista japonês, com curadoria de Tereza de Arruda. Cerca de 1.400 imagens, 160 desenhos e aquarelas e vídeos de performances estão na mostra, com destaque para as séries “Art Mama” e “Bread Men”. 1º e 2º subsolo – av. Paulista, 1.578, Bela Vista, região central, tel. 3251-5644. Ter., qua. e sex. a dom.: 11h às 17h (c/ permanência até as 18h). Qui.: 11h às 19h (c/ permanência até as 20h). Até 27/4. Ingr.: R$ 15 (grátis p/ menores de dez, maiores de 60 anos e ter.).a d


Há mais duas exposições no Masp: “A Mulher por uma Mulher – Obra em Contexto” e “Estratégias para Entrar e Sair da Modernidade”.

MUSEU AFRO BRASIL

A DIVINA INSPIRAÇÃO SAGRADA E RELIGIOSA – SINCRETISMOS

A mostra reúne trabalhos de arte sacra da época colonial até a atualidade, formando um panorama cujo objetivo é criar um contraponto entre o catolicismo e os cultos afro-brasileiros, como a umbanda e o candomblé. Pq. Ibirapuera – pavilhão Pe. Manoel da Nóbrega – av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 10, Parque Ibirapuera, região sul, tel. 5579-0593. Ter. a dom.: 10h às 17h (c/ permanência até as 18h). Até 30/3. Estac. (sistema zona azul – no portão 3).a d


PAÇO DAS ARTES

DIEGO BELDA E LUIZ ROQUE

 Belda se inspirou em poemas do escritor norte-americano Charles Bukowski para criar suas duas telas abstratas em exposição. Roque tem o cinema como principal referência para os vídeos “Treinamento” e “PIK NIK”, filmados em película. Av. da Universidade, 1, Butantã, região oeste, tel. 3814-4832. Ter. a sex.: 11h30 às 19h. Sáb. e dom.: 12h30 às 17h30. Até 30/3.a v

PINACOTECA DO ESTADO

BORIS KOSSOY

 “O Caleidoscópio e a Câmara” é o nome da exposição dedicada ao fotógrafo e pesquisador, a maior já realizada sobre seu trabalho. Com cerca de cem imagens, traça um percurso poético e documental do trabalho de Kossoy, com ensaios metafísicos e um conjunto de imagens inéditas, realizadas nas últimas duas décadas. A curadoria é de Diógenes Moura. Última semana. Pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região central, tel. 3324-1000. Ter. a dom.: 10h às 18h. Até 30/3. Ingr.: R$ 4 (p/ estudantes: R$ 2. Sáb.: grátis). Estac. grátis. Visita monitorada c/ agendamento.a d c i

Há mais quatro exposições na Pinacoteca do Estado: “Coleção Brasiliana – Versões e Narrativas”, “Do Outro Lado”, “Retratos de um Auto-Retrato”.

Espaços culturais

CAIXA CULTURAL – SÉ

MULHERES ESPETACULARES

A fotógrafa Vânia Toledo pediu para que grandes atrizes brasileiras vivessem por um dia uma personagem que nunca haviam representado. O resultado deste trabalho reúne 30 imagens em preto-e-branco de nomes como Fernanda Montenegro e Marília Pêra, entre outros. 1º andar – pça. da Sé, 111, Sé, região central, tel. 3321-4400. Ter. a dom.: 9h às 21h. Até 20/4.a d v


Há mais duas exposições na Caixa Cultural -Sé: “Arte e Música” e “Serra da Canastra”.


GALERIA OLIDO

FERNANDO LEMOS – PRETO E BRANCO

A trajetória pessoal do fotógrafo português é o foco da exposição, que deu início ao calendário 2008 da galeria Olido, todo dedicado à fotografia. Obras gráficas (desenho e foto) e documentos que pontuam a face “gestor” de Lemos são exibidos. sala Mário Pedrosa – av. São João, 473, República, região central, tel. 3331-8399. Ter. a sáb.: 12h às 21h30. Dom.: 12h às 19h30. Até 13/4.
INSTITUTO MOREIRA SALLES

INTERIORES

O fotógrafo francês Patrick Bogner expõe imagens de paisagens, habitantes e peculiaridades do sertão nordestino, produzidas desde 1987. Boa parte das fotografias foi obtida por meio de uma técnica artesanal de reprodução, na qual a utilização de pigmentos de carbono resulta em imagens de intenso cromatismo. R. Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis, região central, tel. 3825-2560. Ter. a sex.: 13h às 19h. Sáb. e dom.: 13h às 18h. Até 11/5. Estac. grátis.a d v

ITAÚ CULTURAL

QUASE LÍQUIDO

Vídeos, instalações e diversos trabalhos de artistas como Héctor Zamora, Cao Guimarães, Zezão e Eduardo Srur (que fez uma instalação gigante com garrafas pet no rio Tietê), entre outros, aludem, de variadas maneiras, à idéia do líquido. A coletiva pretende ressaltar as contradições da sociedade considerada moderna. Av. Paulista, 149, Bela Vista, região central, tel. 2168-1776. Ter. a sex.: 10h às 21h. Sáb. e dom.: 10h às 19h. Até 25/5. Estac. c/ manob. (R$ 8 a 1ª h mais R$ 2 p/ h adicional – convênio).a d

Unidades do Sesc

ALGUNS ASPECTOS DO DESENHO CONTEMPORÂNEO

Parte do projeto O Desenho e Seus Papéis, idealizado pela artista plástica Edith Derdyk, a exposição organizada por Shirley Paes Leme privilegia diferentes maneiras de pensar o desenho e sua expansão na arte contemporânea brasileira, e mostra várias possibilidades conceituais da técnica, explorando vários materiais. Sesc Pinheiros – área de exposições – térreo – r. Paes Leme, 195, Pinheiros, região oeste, tel. 3095-9400. Ter. a sex.: 13h às 21h30. Sáb. e dom.: 10h às 18h30. Até 20/4. Estac. c/ manob. (R$ 5 e R$ 7 p/ 3 h mais R$ 1 p/ h adicional).
TOKYOGAQUI

A Cia. Vazia, de Elisa Ohtake, apresenta as instalações “Fique em Silêncio, no Escuro, com um Bando de Japonezinhos” e “Destrambelhe-se com um Bando de Japonezinhos” amanhã (dia 29) e domingo, às 19h. A proposta é que o público entre nas instalações, compostas por 20 crianças de descendência japonesa, e experimente as duas situações propostas pelos títulos. O projeto integra o evento multicultural Tokyogaqui, dedicado à cultura japonesa, que também possui espetáculos de dança. Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista (Espaço Quinto Andar) – av. Paulista, 119, Bela Vista, região central, tel. 3179-3700. Amanhã (dia 29) e domingo: às 19h. Grátis. Estac. (R$ 5 p/ 4 h mais h adicional, na r. Leôncio de Carvalho, 98 – convênio).

Outros espaços

STAR WARS EXPOSIÇÃO DO BRASIL
A mostra reúne 200 peças relacionadas à série criada por George Lucas. Além de uma linha do tempo, que ajuda a relembrar os principais momentos de cada episódio, é possível encontrar réplicas de caças espaciais, maquetes, mobiliário dos sets de filmagem, bonecos e figurinos. Porão das Artes – pq. do Ibirapuera – av. Pedro Alvares Cabral, s/ nº, portão 3, Parque Ibirapuera, região sul, tel. 4003-1212. Seg. a dom.: 9h às 21h (c/ permanência até 22h). Até 29/6. Ingr.: R$ 30 (bilheteria) e R$ 40 (c/ hora marcada). Ingr. p/ tel. 4003-1212 ou p/ site http://www.ingressorapido.com.br. CC: AE, D, M e V. Visita monitorada p/ tel. 3883-9090 (somente p/ escolas). Estac. (sistema Zona Azul – portão 3).a d