Obras de Picasso, Segall e Di Cavalcanti são roubadas em SP

12 06 2008

Três homens, um deles armados, invadiram a Estação Pinacoteca e levaram as obras que estavam expostas

 

 

Duas obras do pintor espanhol Pablo Picasso (1881 – 1973), uma gravura do lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1891-1957) e outro quadro do brasileiro Di Cavalcanti (1897 – 1976) foram roubados, nesta quinta-feira, 12, na sede da Estação Pinacoteca, onde acontecem exposições do acervo da Pinacoteca de São Paulo. Segundo as primeiras informações, a ação foi cometida por três homens, um deles armado, que entraram sem máscara. As imagens foram gravadas pelo circuito interno de TV e a polícia pretende fazer um retrato falado dos homens.

 

‘Mulheres na Janela’, pintura de 40X49, de Di Cavalcanti, 1926

Três delegados e dez equipes da Polícia Civil acompanham as investigações no local. O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) deve realizar uma entrevista coletiva no final da tarde desta quinta-feira, para dar mais informações sobre o roubo. Segundo estimativa de policiais, o roubo deve ter durado aproximadamente 10 minutos, por volta das 11h30. Três funcionários foram rendidos pelos homens. Os criminosos estavam com uma sacola, onde armazenaram as obras de arte. Depois disso, saíram. A polícia suspeita que pelo menos um terceiro comparsa tenha dado cobertura aos outros dois, na saída do local.

 

Segundo a polícia, as obras levadas foram: Mulheres na Janela (1929), o óleo sobre cartão de Di Cavalcanti, O Pintor e seu Modelo (1963), gravura de Picasso; Minotauro, Bebedouro e Mulheres (1933), gravura de Picasso e Casal (1919), guache sobre cartão de Lasar Segall. A Estação Pinacoteca é um local de exposições da cidade de São Paulo, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. Fica localizada no centro da cidade, no Largo General Osório, no bairro da Luz, ao lado da Sala São Paulo e da Estação Júlio Prestes.

 

Casal, de Lasar Segall, guache de 1919

 

Segundo nota oficial da Secretaria Estadual de Cultura, as obras foram levadas por três homens armados que renderam os atendentes. Os quatro trabalhos têm um valor aproximado de R$ 1 milhão. A secretaria deve se pronunciar após a conclusão das primeiras investigações. O edifício da Estação Pinacoteca permanecerá fechado no resto do dia desta quinta e reabrirá na sexta-feira.

 

 

O prédio foi inaugurado em 1914. Antes de se tornar esse espaço cultural, o prédio pertenceu à administração da Estrada de Ferro Sorocabana. Durante o período da ditadura militar, o local se tornou sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), para onde eram mandados os presos políticos. Em dezembro do ano passado, três quadros foram levados do Museu de Arte de São Paulo (Masp). As obras levadas foram O Lavrador de Café, de Cândido Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso. Na ocasião, quatro homens foram presos e chegaram a acusar o presidente do museu, Júlio Neves, de participar da ação. A polícia alegou que a afirmação dos suspeitos era para despistar as investigações.

 

 Minotauro, bebedor e mulheres, de 1933, de Picasso

 

 

O Pintor e sua Modelo, de 1963, Picasso

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Ponte Estaiada: o novo cartão-postal da cidade

12 05 2008

Instalada sobre o Rio Pinheiros, a ponte, que tem capacidade para 8 mil carros por hora, é o novo cartão postal da cidade. A obra, que começou a ser projetada em 2003, pode ser vista de longe: a ponte tem uma torre de 138 metros, poucos metros a menos do que o edifício Itália, o maior da cidade, e está conectada a 144 cabos de aço na extensão das duas pistas de 900 metros cada uma.

A nova ponte ligará a marginal Pinheiros à Avenida Jornalista Roberto Marinho e ganhará um toque especial à noite, com uma iluminação especial para realçar as linhas futuristas da obra. A iluminação terá como foco o mastro, em formato de X. A iluminação pode variar e, como no Empire State Building, de Nova York, pode ter as cores de uma data comemorativa.

No dia 7 de Setembro, por exemplo, será possível iluminar a torre com as cores verde e amarelo. O mecanismo de iluminação temática já está usado em outras obras arquitetônicas no exterior.

Independentemente do resultado estético, quem passar pelo local vai conseguir perceber a magnitude da construção, que levou dois anos para ficar pronta. Somente os cabos de aço têm 492 toneladas. O volume total de concreto na obra é de 58.700 metros cúbicos e mais de 7 mil toneladas de aço em todo projeto. A ponte Octavio Frias de Oliveira seria inaugurada em março, mas acabou atrasando por conta das chuvas.

A ponte está localizada em uma região privilegiada, junto às avenidas Luis Carlos Berrini e Jornalista Roberto Marinho e próxima aos importantes centros empresariais e a hotéis de padrão internacional. Será uma opção mais rápida para quem circula pelos bairros do Brooklin, Campo Belo e Jabaquara, todos na zona Sul de São Paulo.

– É uma ponte que terá papel fundamental na ligação da zona oeste da cidade com a zona sul, onde há circulação intensa de veículos. A ponte vai melhorar o tráfego destes veículos – disse Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, ao SPTV.

A ponte também é um símbolo dos contrastes de São Paulo. Ao lado da obra em que foram gastos cerca de

R$ 230 milhões existem favelas. Inicialmente, a prefeitura tentou transferir os moradores para outras regiões, mas foi obrigada pela Justiça, depois de ser questionada pela Defensoria Pública, a urbanizar a região e manter os moradores no local.

A prefeitura anunciou que vai construir prédios populares para os moradores das favelas da região. Serão três conjuntos habitacionais com mais de 1.000 unidades construídas na própria Avenida Jornalista Roberto Marinho. Os beneficiados serão os moradores do Jardim Edite (528 apartamentos), bem ao lado da ponte, do Buraco Quente (240 unidades), junto à avenida Washington Luiz, e da Rua Corruíras (248 apartamentos), no início da avenida.

Muitos arquitetos odiaram a ponte.

Qual a sua opinião?

 

 

Veja os posts anteriores:

Frank Lloyd Wright e a arquitetura orgânica

LE CORBUSIER

Mies van der Rohe – Bauhaus 

Paulo Mendes da Rocha – A natureza é um trambolho





Paulo Mendes da Rocha – A natureza é um trambolho

11 04 2008
Saudações!

Estava eu navegando na ‘extensa rede’ e vi essa entrevista do grande e maravilhoso Paulo Mendes da Rocha… Vou copiar uns trechinhos aqui que vale a pena!

Abraços 😉

 

 

 

A natureza é um trambolho

 

 

A conversa foi longa, e podia ser muito mais. A platéia, quer dizer, os entrevistadores ficou – para usar o adjetivo justo – embevecida. Paulo Mendes da Rocha é o retrato do arquiteto, o artista, aquele que une à técnica uma visão cósmica, espiritual, política do homem. E ele consegue expor esse pensamento com outra virtude humana indispensável: o humor, e colocações desconcertantes – como a do título abaixo..

 

(…)

 

 

 

 

São Paulo é caótica ou não?

Paulo Mendes da Rocha – São Paulo é e não tem nada de fenômeno urbano, ela metodicamente se torna horrível pela especulação imobiliária, pela exploração de tudo isso como mercadoria. Tudo isso o quê? As virtudes da natureza. Você quer ver uma evidente virtude da natureza destruída pelo mercado e tida entre nós como supremo bem? O que a Light fez em São Paulo. Construir uma barragem hidrelétrica de 700 metros sobre o mar, sugar a água do Tietê através do Pinheiros, inverter tudo, jogar essa água lá pra baixo para produzir 800.000 quilowatts é uma besteira que não tem tamanho. Nós nunca faríamos isso. Não se produz 1 quilowatt com uma água que não seja para beber depois, porque senão é perder a virtude da água. A graça é dizer que essa água que você está bebendo já foi a luzinha ou vai ser a luzinha de amanhã – e a mesma se joga no mar! Depois, essa Light botou um bonde, fez a linha ir para os arrabaldes, que não valiam nada, comprou tudo, loteou e vendeu esses bairros horríveis que se dizem exclusivamente residenciais. Como se você pudesse exclusivamente residir. “O senhor está fazendo o quê?” “Estou residindo…” Não tem sentido nenhum. E a Light ainda foi vendida para nós e disse que devemos a ela o desenvolvimento de São Paulo. Urubupungá tem 6 milhões de quilowatts, uma barragem de 800.000 quilowatts é o mínimo que se pode fazer, jogando água fora, ainda por cima! Isso eles não fazem no país deles, os canadenses, os americanos, os ingleses. Portanto, somos uma conseqüência dessa visão predadora do nosso território, que vem desde a mentalidade colonial, e devíamos ser a suprema crítica contemporânea sobre essas questões.

 

 

 

Os arquitetos?

Paulo Mendes da Rocha – Nós, os americanos, porque temos a peculiar experiência. É engraçada a história dos americanos. Sou italiano por parte de mãe, sou baiano por parte de pai, sou negro possivelmente, portanto não é uma raça brasileira, somos um grupo que tem a obrigação de ter uma reflexão peculiar, uma experiência peculiar de inaugurar a questão do hábitat humano num território em que estava uma população pequena que foi destruída pelo colonialismo. Essa visão crítica entre nós é indispensável. Uma revisão crítica capaz de criar expectativas de esperança e futuro, existir um peculiar traço de uma experiência interessante quanto à ocupação de território. O que se diz é o seguinte: uma cidade existe antes que a construam, é um desejo nosso, e ela é vista antes como se nós aqui, um grupo, estivéssemos procurando um lugar – aconteceu tantas vezes em grupos humanos –, e suponha que chegássemos por terra, não sei de que modo, no Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro. Com certeza, iríamos parar e dizer assim: “Vamos ficar por aqui. Ali faremos o porto; lá embaixo tem muita inundação, muito pernilongo, vamos morar um pouquinho nesse outeiro, aqui as casas etc. etc.”. Inclusive, você enfrenta uma adversidade que não havia, que você cria. Os problemas nós é que criamos. Se é boa a baía porque abriga os navios, entretanto a terra ali não serve para habitar, porque são baixios, mangues, vou ter que fazer uma muralha de cais, aterrar esse baixio, construir novos territórios e uma nova conformação geográfica. O Rio de Janeiro é uma cidade que descreve com muita clareza as virtudes dessa transformação, por exemplo, depois que abriram a avenida Rio Branco. Sobrou um morrinho lá, que é o famoso morro do Castelo, raro no Rio de Janeiro por não conter granito, era só terra, e ele dividia ou tolhia a visão da entrada da baía. Pra frente, era aquilo que já estava lá, a baía do Flamengo e, logo adiante, a ilha de Villegaignon, a 1 quilômetro, 800 metros, onde já estava instalada a Escola Naval. Fizeram uma obra notável no Rio de Janeiro: o desmonte hidráulico do morro, quer dizer, a jato de água, como você desmantela um formigueiro com a mangueira de jardim. A engenharia faz isso. Estabelece a tubulação toda e desmonta o morro de terra a jato de água, transforma em lama. Essa lama é conduzida nessa tubulação e vai ser depositada num certo lugar. Que lugar? Um retângulo perfeito, um tanque construído com pedras adequadas para enfrentar o mar, dentro da água, inundado de água, um enrocamento de pedras arrebentadas a dinamite das pedreiras e adequadamente depositadas no mar. Essa lama jogada lá dentro decanta, sedimenta a terra e aquilo que ficou é o aeroporto Santos Dumont. Você transforma o território, isso é que é arquitetura, para mim, e não pequenas coisas, uma varandinha, nada disso e os edifícios são instrumentos de realização dessa cidade onde todos querem morar.



Dessa sua visão sobre pensar o território brasileiro, quanto tem da visão do Darcy Ribeiro, no sentido de que podemos construir aqui uma quase civilização tropical, e quanto também da produção e do pensamento do professor Milton Santos, no caso do território?

Paulo Mendes da Rocha – A história do gênero humano é indizível, claro, mas, se quiséssemos conversar, poderíamos pensar, por exemplo, num dilema da nossa condição humana, entre tantos. Um deles é a questão de uma separação, que pode ser convocada para refletir, entre ciências naturais – que é toda ciência, física, astronomia, mecânica celeste – e essa preocupação com nossas origens, que se estabeleceu que chamamos de ciências humanas. Justamente o que fica para as realizações de caráter político, o que vamos fazer, o modo humano de existir, obrigatoriamente esses âmbitos de conhecimento têm de andar juntos, você só pode realmente avançar quando raciocina com uma totalidade. Isso é da nossa época, vivemos isso, que foi posto pelos artistas, os supremos inventores de como pensarmos. No caso, um homem de teatro, Durrenmatt, escreveu Os Físicos, a questão da descoberta da energia, do átomo, da constituição da matéria e a bomba atômica. Ora, tínhamos que dizer que nenhum cientista inventou uma bomba, eles morreram todos de desgosto, digamos assim, é o que está decantado em Galileu Galilei, do Brecht, em Os Físicos, do Durrenmatt. A idéia não é fazer uma bomba, a idéia é não resistir a especular e acabar sabendo que certos códigos revelam que são partes, partículas materiais, que a luz é pedaço de coisas, e que tudo isso se equilibra por força desse certo universo, ou seja, que somos feitos da mesma matéria da qual é feita a luz das estrelas, não existe outra matéria no universo, quarks, elétrons, nêutrons, ela produz um fígado ou uma fagulha de estrelas. Portanto, não é que sejam verdades, são códigos que vão dando certo, códigos matemáticos, você reproduz e vê que aquilo é isso. Mas a idéia é realizar a nossa existência no universo.

 

Isso não é uma visão de Deus?

 

Paulo Mendes da Rocha – Eu não sei qual é a visão de Deus, quem me dera.

(…)

 

 

 

Bacana, né?

 

Se quiser ler o resto da entrevista é só entrar aqui:

 

 

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed61/paulo30.asp

 

 

Principais trabalhos e prêmios:
Museu de Arte de Campinas, na Unicamp, SP.
Museu de Arte Comtemporânea, com Jorge Wilheim, SP.
Museu Brasileiro de Arquitetura, SP.
Centro Cultural da Fiesp, SP.
Pinacoteca do Estado, Renovação, SP.
Ginásio do Clube Atlético Paulistano, SP.
Terminal Rodoviário de Goiânia, GO.
Estádio Serra Dourada, GO.
Terminal Rodoviário de Cuiabá, GO.
Pavilhão do Brasil na Exposição Mundial de Osaka, Japão.


Prêmios:
Bienal Ibero-Americana de Madri (Trajetória Profissional).
Museu Nacional de Belas-Artes (Prêmio Vitrúvio).
Arquitetura Latino-Americana (Prêmio Mies van der Rohe).
Bienal Internacional de São Paulo (Ginásio do Clube Paulistano).

 

 

 

  

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Tendências… A vez das fachadas sustentáveis 

SANTIAGO CALATRAVA – arquiteto

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Tendências… A vez das fachadas sustentáveis

1 04 2008

 A vez das fachadas sustentáveis

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O arquiteto brasileiro Edson Yabiku, que morou 5 anos em Tóquio e mora há 11 em Londres, desembarcou em São Paulo anteontem e, no trajeto entre o aeroporto de Cumbica e o Copan, a primeira coisa em que reparou foi nas numerosas pichações da cidade. Cidade limpa? Yabiku elogia a iniciativa de reduzir as propagandas e os letreiros das ruas e lojas. Mas esse paranaense de Maringá que trabalha no escritório Norman Foster + Partners – do famoso arquiteto inglês que acaba de assinar o novo aeroporto de Pequim – está em São Paulo para falar sobre a importância muito maior da fachada na arquitetura atual. E o que ele descreve tem raros exemplos na cidade.

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Yabiku é um dos participantes do 1º Encontro Nacional sobre Fachadas, fórum organizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), amanhã e depois de amanhã, no Hotel Renaissance. Foi ele quem sugeriu ao Estado o encontro em frente ao Copan, projetado por Oscar Niemeyer. Ele queria rever o brise-soleil (quebra-sol) que cobre toda a fachada curva do edifício. “O brise-soleil voltou a ser muito usado”, comenta Yabiku, que no momento trabalha no desenho de uma universidade em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, que terá brise-soleil de titânio. A razão está na necessidade atual de construções que economizem energia e carbono.

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Na arquitetura americana, diz Yabiku, predominou o arranha-céu que usa uma planta quadrada e obriga boa parte dos ocupantes do prédio a ficar em áreas centrais mal iluminadas e com forte ar-condicionado. Hoje, principalmente na Alemanha, usa-se no máximo uma fachada com 18 metros contínuos de largura para que ninguém fique distante da iluminação natural – caso do prédio do Commerzbank, em Frankfurt, projetado pelo escritório de Norman Foster. A fachada também recebe recortes e reentrâncias que impedem essas regiões mais escuras dentro do ambiente de trabalho. “Num país de pouco sol como a Inglaterra, esse balanço entre luz natural e ar-condicionado é importante até para ter locais de trabalho menos depressivos.”

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Curiosamente, Yabiku nota que o Copan, além do mau estado de conservação, tem um problema em seu projeto: como o brise-soleil fixo de concreto fica na horizontal e o prédio tem face voltada para o norte, o sol que incide de manhã cedo a leste e no fim de tarde a oeste bate diretamente no interior dos apartamentos. Além disso, o concreto já não é tão usado por ter cimento, cuja fabricação emite gás carbônico para a atmosfera. É por isso que o desenho de fachadas, segundo Yabiku, é cada vez mais fundamental numa era que preza cada vez mais a sustentabilidade ambiental. A fachada não é mais um cartão de visitas ou a face mais pública de uma obra.

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“A fachada é parte integrante da estrutura. Nos trabalhos do escritório, a fachada já é a própria estrutura”, diz, citando outro exemplo, o prédio Swiss Re (hoje não mais pertencente à seguradora), considerado o primeiro arranha-céu ecológico de Londres. É um edifício em forma de projétil que tem muita iluminação e ventilação naturais. Yabiku conta que em Londres foi aprovada regulamentação, conhecida como “Part L”, de 2006, que estabelece limites para a carga térmica de uma construção urbana. O efeito tem sido o uso menos abundante de vidros no revestimento dos edifícios e, quando usados, a adoção do vidro duplo ou triplo.

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Para observar alguns exemplos de arquitetura recém-erguida em São Paulo, o Estado levou Yabiku ao cruzamento das Avenidas Nova Faria Lima e Juscelino Kubitschek. Ele não encontrou nada parecido com o que vem sendo feito pelos grandes escritórios de arquitetura mundiais, como aquele em que trabalha ao lado de 1.200 profissionais. Não se vê, por exemplo, o vidro triplo: um sanduíche de vidro complementado por outra camada com intervalo de ventilação. No caso de lugares com muito calor e luz, como as cidades brasileiras, esse tipo de revestimento – com o terceiro vidro no lado mais externo do prédio – seria o mais indicado para reduzir o uso do ar-condicionado.

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Yabiku nota também a preferência por vidros escuros, em tons de azul ou verde, e o convencionalismo das estruturas. “Quando o prédio rompe com a forma quadrada, é apenas para acrescentar uma decoração, não algo que tem lógica interna. No nosso escritório questionamos tudo: se vamos usar um volume chanfrado, por exemplo”, diz apontando para um prédio na Nova Faria Lima, “queremos ter um porquê.” Ele também diz que, apesar do custo maior de projetos menos convencionais, há ganhos para quem investe em fachadas sustentáveis. “Prédios que fizemos economizam até 40% em energia, reduzindo custo de manutenção. Além disso, o empreendedor vai ganhar muito ao vender o prédio, que se tornará um marco. O Swiss Re foi vendido pelo triplo do que custou quatro anos antes.”

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Seu argumento também tem uma perspectiva histórica. “No passado, quando começaram a fazer piso elevado para poder embutir as fiações, muitos construtores disseram que aquilo encarecia a obra. Depois, como o cliente pedia, todo mundo passou a usar piso elevado. O mesmo vale para o vidro: ninguém mais usa vidro simples. Agora os prédios se voltam para a iluminação natural, o que pede variações de fachadas.” As fachadas, além de limpas, cada vez mais terão a obrigação de ser sustentáveis.

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é isso aí.